6.27.2007

6.11.2007


Dor Lombar

A coluna vertebral (popularmente conhecida como "espinha") é composta por inúmeros pequenos ossos que se articulam entre si: as vértebras.

Estão empilhadas uma acima da outra e são separadas por discos intervertebrais.
Não se trata de um mero empilhamento, pois se assim fosse, tudo cairia ao menor contato. Há entre as vértebras e discos inúmeros pontos de articulação, onde fortes ligamentos e cápsulas mantém a integridade física da coluna vertebral.
Os discos intervertebrais interpõem-se como coxins entre as vértebras e servem para absorver os impactos compressivos, através do seu núcleo.
Inúmeras forças corpóreas fazem seu ponto de apoio nesta região, tornando-a muito requisitada do ponto de vista ergonômico.
Duas raízes nervosas deixam cada corpo vertebral através de orifícios específicos. Fora da coluna reúnem-se e formam os nervos espinhais, que encarregam-se das transmissões sensitivas e motoras.
O que é lombalgia?
São dores e dolorimentos sentidos na região lombar: aquela região das costas situada acima das nádegas e que ocupa aproximadamente o terço final da coluna vertebral.
O que dói?
Quase qualquer tipo de tecido vivo ou estrutura das costas, pode contribuir o seu quinhão para a percepção da dor pelo indivíduo.

Ossos, discos intervertebrais, ligamentos, músculos e raízes nervosas são normamente sensíveis à dor e podem ser fontes geradoras.
As herniações e roturas discais também podem levar à dor; porém, há estudos que mostram que estas situações existem também em pessoas que não se queixam de dores lombares. Um desabamento vertebral causa dor. É visto em pacientes idosos e osteoporóticos, que sofreram traumas leves (porém, intensos o suficiente para quebrar uma coluna enfraquecida)
Quem tem lombalgia?
Dores lombares ou lombalgia é um problema médico extremamente comum e benigno na maioria das vezes.
A possibilidade de uma pessoa vir a sofrer de pelo menos um episódio incapacitante de lombalgia é de cerca de 90%. Ou seja, é muito provável que alguém, durante algum momento de sua vida, venha a passar por isto.
A possibilidade de uma pessoa vir a sofrer de lombalgias durante o ano civil é de cerca de 20%.
Quais as causas?
São muitas, freqüentementes e, coexistem várias, levando ao que se conhece por etiologia multifatorial. O que quer dizer isto? Simplesmente que o sintoma único vivenciado pelo paciente (a lombalgia) não é causado por fatores isolados, mas sim pela sua interação.

Qual a implicação prática disto? O tratamento deve ser dirigido simultaneamente a várias causas, sendo em geral detalhista e altamente dependente do modo como o paciente gera sua própria doença. Ou seja: não há uma pílula mágica que acabe com o problema.
Porém, é possível isolar as condições contribuintes para a lombalgia:
Estenose de canal vertebral (Estreitamento do canal vertebral, dentro do qual correm os nervos destinados aos membros inferiores).

Comum em pacientes mais idosos.
Herniação do núcleo pulposo do disco intervertebral (Diferentemente do que se crê, as ditas hérnias discais não são deslocamentos de todo o disco intervertebral. Esta situação existe, é catastrófica, acontece nos grandes traumas da região e é conhecida como luxação de disco intervertebral).

O elemento normalmente herniado é o núcleo do disco, uma estrutura mole e pequena localizada no meio do disco propriamente dito.
Musculatura lombar muito solicitada
Posturas inadequadas da coluna vertebral
Obesidade
Osteoartrite da coluna vertebral
Deve-se ter sempre em mente que na maioria das vezes, o conjunto exato de causas que levam a lombalgia é indeterminado, e que hérnias discais e estenose de canal são as situações geradoras em apenas uma pequena porcentagem dos pacientes.
Quais são os sintomas (Sensações ou fatos só conhecidos pelo paciente e comunicados ao médico)?
A intensidade da dor lombar varia muito.

Na melhor das hipóteses pode ser uma dor leve e chata, ou uma dor muito intensa e incapacitante, que impede a realização dos afazeres domésticos e profissionais.
A dor é normalmente localizada na porção inferior das costas, podendo ou não irradiar-se para a porção superior, pescoço, coxas ou até para o abdômen. Se uma dor lombar isolada (ou seja, sem outras intercorrências) persistir inalterada em sua intensidade por mais de duas semanas, é conveniente procurar auxílio médico.
Perda ou diminuição da atividade evacuatória ou miccional, perda ou diminuição da sensibilidade cutânea abaixo do quadril, ou alterações da capacidade copulatória, são indicativos de problemas a princípio graves, e devem levar o paciente a procurar avaliação médica urgente.
Se as seguintes características acompanharem a lombalgia, a avaliação médica também deve imediata.
Traumas leves em idosos
Traumas graves em pessoas de qualquer idade
Febre, calafrios ou perda de peso
Dores ou fraquezas centradas nas pernas
Dor que piora à noite
Dor muito forte
Quais são os sinais (Evidências apuradas pelo médico no exame físico do paciente)?
Os achados físicos se obtém através de exame médico detalhado. Deve necessariamente incluir o exame neurológico, durante o qual o médico pesquisa indícios de disfunção de nervos espinhais ou medula espinhal. Para tanto, observa os reflexos musculares, a força muscular e a sensação cutânea. A extensão da mobilidade raquiana deve ser avaliada e geralmente se encontra diminuída nestes casos. A própria movimentação passiva da coluna pode induzir dor.


O que é lombociatalgia?

É um tipo especial de lombalgia.
Consiste de lombalgia que se irradia por regiões bem determinadas do membro inferior (geralmente na região posterior e lateral), atingindo as pernas e pés. Se for acompanhada de alterações da sensibilidade cutânea ou da força muscular, indica que há um comprometimento funcional de uma raiz nervosa lombar. Este problema é popularmente conhecido como "pinçamento de nervo".

Como é feito o diagnóstico?

O médico pergunta a respeito de detalhes da dor, que irão ajudar a determinar a causa da lombalgia. Algumas questões podem incluir:
Qual a intensidade da dor numa escala de 0 a 10? (Zero para ausência de dor e 10 para a pior dor que o paciente já teve na vida)


Como é a dor?


Como se trata?

Existem vários tratamentos disponíveis, tanto cirúrgicos quanto clínicos. A maioria das pessoas com lombalgia não necessita de cirurgia. Embora a causa de um episódio freqüentemente não seja clara, cerca de 90% das pessoas recuperam-se em torno de doze semanas. Um programa de alongamento, musculação e exercício aeróbico, podem resolver os sintomas e previnir as recidivas.

Tratamento conservador:

Tratamento conservador:
Para lombalgia aguda, um período ultra curto de repouso relativo, inferior a três dias, é geralmente prescrito. Um repouso maior do que este leva ao descondicionamento. Além disso, os estudos realizados não demonstraram benefícios do repouso prolongado. Deitar de costas com um travesseiro sob os joelhos, ou de lado com o travesseiro entre os joelhos, geralmente são posições de conforto.

Fisioterapia:

Fisioterapia: Pode ser indicada, se realizada por um fisioterapeuta treinado. Ele pode orientar o paciente a seguir um programa de exercícios personalizado, que leva em consideração o estado e as necessidades específicas de cada paciente. O fisioterapeuta também pode orientar a respeito da mecânica corporal e das técnicas de alívio de tensão. Há uma série de técnicas fisioterápicas que ajudam a reduzir a dor e o espasmo: Calor, gelo, massagem, ultrassom e eletroestimulação.

O programa fisioterápico é incremental.

Coletes: Existem vários tipos disponíveis para problemas específicos. Eles podem aliviar a dor, ajudando a manter a postura correta e reduzindo a carga sobre certas estruturas das costas. Estes suportes não substituem um programa regular de exercícios e não previnirão lesões de modo isolado.

Medicações: Podem ser recomendados pelo médico. Drogas conhecidas como antiinflamatórios não esteroidais são usadas para tratar dor e inflamação. Em virtude de não serem drogas adequadas para uso indiscriminado, covém que se procure um médico antes de iniciar o uso de qualquer uma delas.
Pessoas que têm úlceras pépticas ou problemas renais, estão particularmente inclinados a terem problemas com esta categoria de medicamentos.
Às vezes, relaxantes musculares são usados para aliviar espasmos da musculatura. Existem ocasiões onde o uso de analgésicos narcóticos é necessário. Para dores prolongadas, muitas medicações são possíveis - incluindo antidepressivos e anticonvulsivantes – e podem ser combinadas para diminuir a dor e aumentar a capacidade funcional do paciente.

Cirurgia: Os procedimentos cirúrgicos não são a regra, visto que em geral os sintomas cedem com a abordagem conservadora. Caso haja falência das medidas clínicas ou progressão deficitária da sintomatologia, estará indicado algum procedimento cirúrgico, variável com as condições de cada paciente

6.09.2007



Bursite

Antes de definirmos o que seria a chamada bursite, precisamos ter algumas noções básicas sobre anatomia.

A chamada "bursa" é como se fosse uma pequena bolsa cheia de líquido, que tem a função de proteger os tecidos ao redor de algumas articulações.

Ela impede que o osso pressione os tecidos mais moles (como os músculos e outros), causando lesões.

Assim, ela reduz o atrito entre os ossos, tendões e ligamentos. Em nosso organismo, existem mais ou menos 160 bursas.
A bursite é a inflamação da bursa, que pode acabar fazendo com que a parede dessa bolsa fique mais grossa e produza mais líquido.

Esse acúmulo de líquido em excesso, às vezes, faz com que a região fique inchada. Geralmente, a bursite é causada por situações nas quais muita pressão é aplicada sobre a bursa, quando a articulação próxima está inflamada ou após movimentos repetitivos que causam irritação local.
Embora as bursas estejam distribuídas por todo o corpo, algumas apresentam maior chance de desenvolver essa inflamação, como: ombros, cotovelos, joelhos e pés.



O principal sintoma associado à bursite é a dor no local acometido, geralmente desencadeada pelo movimento da articulação próxima. No entanto, às vezes, a dor pode ser sentida também quando em repouso. Devido à dor, a pessoa não consegue realizar normalmente os movimentos do membro acometido e, como já dito, o local pode ficar "inchado", caso a bursa seja mais superficial.
Uma complicação que pode ocorrer é a infecção da bursa, que leva ao aparecimento de sinais inflamatórios locais. A pele fica vermelha, quente e bastante inchada. Geralmente ocorre nas bursas do ombro e do joelho, e sua origem é a infecção que ocorre após a lesão da pele acima da bursa, permitindo que as bactérias invadam o local. Essa infecção exige atendimento médico imediato.



O diagnóstico de bursite é feito com base na história do paciente e no exame físico que o médico realiza. Geralmente, isso já é suficiente para estabelecimento do diagnóstico, sem necessidade de exames laboratoriais ou de radiografia. Quando existe a suspeita de infecção, o médico pode solicitar a coleta de líquido da bursa, para exame em busca de bactérias ou células de defesa do organismo (os glóbulos brancos).
Outro aspecto importante é que algumas doenças podem predispor o paciente ao desenvolvimento de bursite, como a gota e a artrite reumatóide. Essas doenças devem sempre ser pesquisadas nos casos de pacientes que não melhoram com o tratamento ou que apresentam várias recorrências de bursite.



Os objetivos do tratamento são os seguintes:

1) Aliviar a dor
O episódio de dor pode ser tratado com algumas estratégias: (1) proteção da articulação, para reduzir a movimentação, com o uso de tipóias, "munhequeiras"; (2) repouso da articulação; (3) compressas ou bolsa de gelo.


Medicamentos antiinflamatórios também podem ser utilizados.
É importante reduzir a pressão sobre a bursa inflamada, por isso deve-se evitar os movimentos que causam dor e manter repouso da articulação.
A injeção local de medicamentos, como anestésicos, pode ser indicada, nos casos mais graves.

2) Tratar a infecção
Quando presente, a infecção deve ser tratada com uso de antibióticos e, às vezes, drenagem local com agulha.


Caso isso não resolva, pode ser necessária cirurgia.
A cirurgia também pode ser indicada em casos sem infecção, quando a bursite não melhora com o tratamento não-cirúrgico ou quando a bursa está muito fibrosada (endurecida).


3) Exclusão dos fatores que levam à bursite
Recomenda-se evitar posições e atitudes que aumentem a pressão sobre as bursas. Evitar ficar na mesma posição por muito tempo, utilizar protetores acolchoados para as articulações, não firmar o peso sobre o braço por muito tempo e, durante viagens longas, manter os braços mais próximos ao corpo.


Manter um equilíbrio entre o esforço e o descanso, interrompendo de tempos em tempos a prática de atividades que aumentam a pressão nas articulações.
Caso sinta dor durante a realização de um exercício, pare por uns momentos e modifique o modo de praticá-lo, ou não pratique mais.
Converse com seu médico sobre a prática de atividades que não levem à bursite, para manter a flexibilidade e a força muscular.


Mantenha-se no seu peso ideal, pois o excesso de peso também aumenta a pressão sobre as bursas.